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11/07/2012 08h19 - Atualizado em 11/07/2012 20h17
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Poluição das praias causa redução do turismo em SL

Setor hoteleiro registra ocupação de apenas 65%, segundo o São Luís Convention & Visitors


O ESTADO DO MA
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Setor hoteleiro registra ocupação de apenas 65%, segundo o São Luís Convention & Visitors

Em pleno mês de férias, o setor hoteleiro de São Luís registra uma baixa considerável na ocupação, em relação ao mesmo período do ano passado. A ocupação dos hotéis, que em julho de 2011 foi de 80%, neste ano atinge apenas 65%, segundo dados da fundação São Luís Convention & Visitors Bureau (cuja finalidade é estimular o desenvolvimento do turismo na capital), que atribui essa inibição do turismo às condições impróprias das praias da cidade para banho. Donos de bares e restaurantes localizados na orla reclamam que o movimento caiu 30% este mês.

De acordo com Nan Souza, vice-presidente da São Luís Convention & Visitors Bureau, a média de ocupação nos hotéis da cidade é de 65% este ano, contra 80% em 2011. O ideal para este período seria de 90%. Ele comentou que desde o ano passado o setor está percebendo queda no número de visitantes. "Em 2011, o principal fator foi o aeroporto. Este ano, as praias estão inibindo o turismo durante as férias, pois cidades litorâneas são o destino preferencial de quem mora em áreas onde não há praias e ninguém quer ir a uma e ficar apenas na areia", avaliou.

Por causa desse problema, muitos turistas estão deixando de visitar São Luís durante as férias de julho. Fabíola Gonçalves, que veio de Recife (PE) para conhecer a capital, afirmou que ficou sabendo dos índices de poluição da orla da capital pela internet e que só veio para a cidade porque pretende visitar os Lençóis Maranhenses. "Como sou de Recife, sempre priorizo cidades litorâneas nas minhas viagens, mas, se não fosse o meu desejo de conhecer Barreirinhas, não viria a São Luís, pois acho um desrespeito com a população local e os visitantes esse tipo de problema", afirmou.

A turista está hospedada no Solare Praiabella Hotel, na Avenida Litorânea, principal cartão-postal da orla de São Luís. No local, a taxa de ocupação este ano é de 60%. Em 2011, 75% dos apartamentos estavam ocupados durante o mês de julho. Em outro hotel localizado na avenida, o Litorânea Praia Hotel, em 2011 o local registrou 85% de ocupação. Neste ano, a ocupação também é de apenas 60% e não há perspectivas de mudança até o fim do mês, segundo funcionários do local. "Os hóspedes costumam fazer as reservas com um mês de antecedência. Estamos fechando a primeira quinzena do mês e praticamente não temos reservas feitas para os outros 15 dias", informou o recepcionista Bruno Melo.

Ainda segundo hoteleiros, boa parte dos hóspedes são turistas de negócios, que ficam poucos dias na cidade e não dispõem de muito tempo para conhecer os produtos turísticos locais. "Dessa forma, nós não consolidamos o destino. O executivo passa dois ou três dias participando de eventos e volta para casa sem um motivo para vir com a família conhecer os pontos turísticos. De certa forma, trabalhamos com hóspedes sazonais", afirmou Nan Souza.

Em bares e restaurantes ao longo da orla, o número de clientes está 30% menor, estimam os gerentes dos estabelecimentos. Fred Baca, maître do restaurante Cabana do Sol, afirmou que, em relação a junho de 2011, o movimento caiu significativamente. "Estamos trabalhando com casa cheia sempre, mas o tempo de espera e a fila costumavam ser bem maiores antes da divulgação do estado de poluição das praias", comentou.

O mesmo problema enfrenta o Adventure Beach Bar. "Os clientes comentam muito sobre essa situação. Perguntam por que nossas praias chegaram a esse ponto, sobretudo os turistas, que lamentam não poder tomar banho de mar. Aqui, com certeza, estamos com pelo menos 30% menos clientes que no ano passado. Na verdade, desde maio temos percebido essa diminuição na demanda", analisou a gerente Dulce Helena Rocha.

Monitoramento - Nos dias 1º e 2 de maio deste ano, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) realizou o monitoramento das condições de balneabilidade na orla de São Luís e São José de Ribamar, em 26 pontos diferentes das praias dos dois municípios que foram considerados impróprios para banho pelos técnicos do Laboratório de Análises Ambientais e da Superintendência de Planejamento e Monitoramento da Sema. Na capital, foram coletadas amostras nas praias da Ponta d'Areia, São Marcos, Calhau, Olho d'Água, do Meio e do Araçagi.

Desde então, o órgão vem fazendo o monitoramento semanal das praias. Na sexta-feira (6), a Sema divulgou o último levantamento, feito nos dias 1º e 2 deste mês, segundo o qual as praias de São Luís continuam impróprias para banho. Segundo a Resolução nº 274/00 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), as águas das praias são consideradas impróprias quando apresentam mais de 800 coliformes fecais por 100 ml de água. Em alguns pontos das praias da capital, foram identificados mais de 3 mil coliformes fecais para cada 100 ml de água. As causas do nível de poluição são situações como a do esgoto sem tratamento, jogado diretamente nas praias.

Números

1,9 milhão de turistas visitaram São Luís durante o ano de 2011

2.128 milhões de turistas são esperados na capital este ano, por causa dos 400 anos da cidade

8 mil é o número de leitos para hospedagem na capital

35 é o total de hotéis da cidade

 

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